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agosto 23, 2006
MUNDO SEM JUIZO
MUNDO SEM JUIZO
Da minha janela,
avisto arvores, que se agitam
cercadas pelo vento
Ouço seu forte soprar,
como falando comigo
Trazendo as mágoas do mundo
E eu, na minha triste solidão
apercebo-me de seus dizeres
que mais uma vez
não trazem novidades, e me fazem
ver e sentir os lamentos
da vida humana
Pressinto o sofrimento
do outro lado do mundo,
igualzinho aos deste lado de cá
Vejo crianças com fome,
e mães que no seu choro dizem-me
tanto do seu sofrimento,
que me dá uma enorme
pancada no coração
Como é possível meu Deus
andares tão frio e distraído!
Vejo sem abrigos, sem sustento
iguais aos da minha cidade,
deste lado de cá do mundo
Vejo mortos que se espalham
Como numa grotesca cena de Dante
Aqui, a guerra mostra as garras
do mal com todo o seu cinismo
O vento vai-me falando, falando,
e mostrando toda a miséria da vida
Eu, em silencio o escuto sem vacilar,
e vou deitando lágrimas de raiva
por este pobre mundo,
que dos dois lados não tem juízo
de: Fernando Ramos - www.meuslivros.weblog.com.pt
21.7.2006
Publicado por ramos às agosto 23, 2006 05:35 PM
Comentários
Este poema de Fernando Ramos (tão bom como todos deste autor)é de uma arrepiante actualidade.
O que podemos fazer alem de deixar correr lágrimas de raiva?
É raiva o que sentimos perante o horror e a hipocrisia da guerra.
Publicado por: João Norte às agosto 23, 2006 06:02 PM
esta é a xafarica do marocas, aberta ao público em 8.11.2004, façam o favôr de espreitar, comentar e serem felizes